Posts com Tag ‘Telemarketing’

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Sala de espera: Pseudônimos

Junho 16, 2008

A gente ouve histórias de que os operadores têm que criar nomes falsos para atender as ligações, pra manter a discrição e a privacidade da vida pessoal dos atendentes. Tinha um grupo que já estava pensando qual seria o nome que ia usar por trás dos fones.

“Já pensou que legal, eu vou atender Banco do Brasil, Brad, bom dia?”

“Então eu já sei o meu também! Vou atender Banco do Brasil, Angelina Jolie, bom dia?”

Discretos eles, não?

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Exame médico 2: Audio-quê?

Junho 16, 2008

Depois da audiometria, de novo enfrentamos a sala de espera para o exame do estetoscópio. Eu fazia um sudoku, já que não tinha assunto pra me integrar com a galera.

Do meu lado sentou-se uma senhora, dos seus mais de 40 anos. Passou uma amiga dela na porta da sala e perguntou “E aí, já foi?”

“Não, são dois exames. Acabei de passar na….auditoria. Agora falta o exame médico.”

Eu sei, deveria ter ficado quieta, continuado meu sudoku. Olha, vai um 2 aqui…

“Não seria audiometria?”

“Ah, eh… esses exame tem tudo nome difícil…”

Preferi não começar um assunto. E continuei meu sudoku.

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Exame médico 1: Bip. Bip. Bip. Repita.

Junho 16, 2008

O exame médico. Logo em seguida da entrevista e de ter tirado todo o dinheiro da minha carteira em xerox de documentos (três cópias de RG, CPF, CPTS, ESPN etc.), haveriam dois exames físicos. Um de audiometria, numa sala, e outro exame tradicional, com o estetoscópio e o respire-fundo.-isso.-agora-solte. Entre eles, uma grande fila e uma sala de espera.

A audiometria é um exame em que te colocam um fone de ouvido gigante e um botãozinho pra você apertar quando ouvir os apitos, que são de volumes irregulares, um ouvido de cada vez. Uns são muito altos, outros muito baixinhos.

O problema é que todo mundo acha muito difícil ouvir os apitos muito baixinhos. Inclusive as 20 mulheres que estavam na sala de espera entre a audiometria e o exame físico. Não sei por que, mas essas pessoas a-do-ram repetir as descobertas dos outros quando elas se tornam descobertas pessoais. Todas as que entravam na audiometria saiam e diziam “Nossa, vai ficando muuuuito baixinho, quase não dá pra ouvir.”. EXATAMENTE igual à mulher imediatamente anterior a ela. Vinte vezes seguidas.

Podiam ter notado alguma coisa diferente. Tipo que a porta é cheia de bolinhas e que você fica vesgo quando olha pra frente. Ou que a fonoaudióloga fica falando mal da profissão enquanto você está com o fone na cabine a prova de som. Ou ainda que o médico do estetoscópio tinha acabado de chegar e estava uma hora atrasado. Sei lá!

“Agora só falta o médico!”

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O que eu tô fazendo aqui, meu Deus?

Junho 16, 2008

Pois é. Eu também me perguntei a mesma coisa quando cheguei na entrevista para um emprego de atendente de telemarketing. Estagiária, ainda por cima. Mas tudo bem, quando a gente precisa de dinheiro qualquer coisa vale. O difícil era tentar mostrar aos selecionadores que eu deveria ser escolhida se nem eu queria, de verdade, ser escolhida.

Depois de (não muitos) testes, uma prova de gramática (?) e uma entrevista com o supervisor, todos os candidatos foram contratados. Acho que as provas eram só pra dizer que existe um critério para seleção caso alguém da justiça do trabalho fiscalize alguma coisa. Enfim, eu deveria estar lá no dia seguinte para o exame médico e para entregar meus documentos para a assinatura do contrato.

Até aí, ok, um emprego, exame médico. O que me fez vir até aqui e contar todas essas coisas num blog foram os acontecimentos seguintes. Descobri que existe um mundo paralelo que eu não conhecia, e que ele precisa ser descoberto e (por que não?) satirizado. Afinal, se até o Casseta e Planeta tira sarro de telemarketing, eu que estou lá dentro não vou perder a oportunidade de repetir certas pérolas para o mundo exterior.

E aqui estou eu. Alguma dúvida, senhor?